Carros ruins de revenda: Chineses? Estou fora e você?

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Sexta-feira 13 de setembro de 2013, com o final de semana chegando, finalizam também os posts que dediquei aos carros ruins de revenda, que na maioria das vezes são carros bons, mas por um ou mais motivos não são carros bem aceitos no mercado.

Durante essa semana listei muitos carros, mas claro poderia ter ampliado muito mais a lista com carros ruins de revenda, dentre todos comentei sobre o Fiat Tipo e Citroën C4 Pallas, hoje é a vez dos chineses.

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Carros ruins de revenda um pequeno detalhe faz toda a diferença

Já escrevi sobre carros ruins de mercado há semanas quando eu quis mostrar sobre os cuidados na hora de escolher seu próximo carro para evitar perder dinheiro na revenda. Às vezes encontramos diferença de valores entre carros da mesma marca, ano e modelo, mas que por um detalhe tem seu valor diminuído, e esse detalhe é o que muitas vezes diferencia um carro bom ou ruim para revenda.

Por exemplo, um Fiat Palio prata ano 2000 completo custa R$ 11 mil, já um Fiat Palio verde limão também ano 2000 e completo custa cerca de R$ 8 mil, mesmo eles estando no mesmo nível de conservação, terem os mesmos equipamentos e serem do mesmo ano de fabricação, o verde fica mais barato porque é mais difícil de vender. O brasileiro em geral não gosta de cores que fujam do padrão branco, vermelho, preto e prata, no máximo compram algumas variações dessas cores.

No período de janeiro de 2010 até o corrente mês de 2013 tivemos muitos lançamentos e muitos deles sofrem com alta desvalorização por terem entrado na lista de carros ruins de revenda.

Os carros atuais que mais enfrentam preconceito são os de qualquer marca chinesa. A Jac chegou ao Brasil com uma campanha de marketing muito agressiva, e por isso ela é a marca chinesa mais conhecida, assim é a que enfrenta menor rejeição.

Abaixo uns modelos que são vendidos a “preço de banana”, e mesmo assim quase ninguém quer:

  • Chery QQ.

  • Chery Face.

  • Chery Tiggo.

  • Chery Celer.

  • Effa M100.

  • Effa Plutus.

  • Changan Mini Star Cs.

  • Jac J2.

  • Jac J3.

  • Jac J5 e todos outros J da JAC.

  • Lifan 320.

  • Lifan 620.

A Changan Automobile na verdade entrou no mercado brasileiro em 2006 usando a marca Chana, mas como em 2011 ela também adotou o nome Changan, listei como um carro ruim de revenda pertencente a esse grupo. 

Quaisquer carros pertencentes a uma marca chinesa são mal vistos no mercado brasileiro, assim podemos considerá-los sem exceção.

Isso se deve ao fato de que as marcas são novas e sem prestígio, aliás, sobram reclamações em relação à segurança e acabamento, isso faz com que o público em geral não aposte nesses carros.

JAC J6?

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Uma das minhas irmãs usa diariamente um Jac J6 2013 com menos de 10 mil quilômetros rodados para ir trabalhar, e o considera potente e confortável. Eu discordo, o motor 2.0 de 136 cavalos não é muito para puxar os 1500 kg do veículo, acho péssima a posição da direção, parece o volante de uma Kombi, e para piorar o interior é muito ruidoso gerando desconforto, o ruído é causado pela terceira fileira de bancos (parecem soltos) e pelos encaixes das peças plásticas do painel que rangem bastante com o carro em movimento. Minha irmã gosta do carro, mas disse que não compraria por saber que o carro é muito desvalorizado na hora da revenda.

Você deve estar curioso para saber qual de todos esses carros chineses ruins de revenda eu escolhi como a pior opção de compra, não é mesmo? Vamos a ele então:

Em meu ponto de vista a pior opção é o Lifan 620.

Lifan 620?

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Completíssimo incluindo Abs e air bag, ele é um sedan com amplo espaço interno e um gigantesco porta-malas capaz de acomodar invejáveis 650 litros, ele chegou ao Brasil com um ótimo preço se comparado aos seus concorrentes com o mesmo nível de equipamentos. (Voyage, Fiesta sedan, Siena, Prisma, Logan e Passion)

Com seu visual interno e externo de gosto duvidoso e quase nenhuma divulgação, teve pouquíssimas unidades comercializadas. Se quando novo já era um carro ruim de revenda, imagine depois de usado?

Para piorar a situação que já não era boa, a Lifan encerrou as vendas do sedan e do seu primo hatch, o 320 e atualmente só vende no Brasil o aventureiro X60. Aliás, o 620 foi totalmente remodelado, e aqui eles resolveram empurrar uma versão que estava quase fora de linha, algo realmente lamentável.

Um grande amigo meu, resolveu apostar na boa relação custo-benefício e levou para sua garagem um Lifan 620 zerinho. Segundo ele o carro é muito econômico, tinha um rodar suave, vem bem equipado e para melhorar dispõe de um porta-malas generoso. Ele afirma que carro agradou muito durante os 30 mil quilômetros em que ele foi “feliz” proprietário desse sedan chinês.

Por sorte esse meu amigo usa o carro no máximo até ele atingir os 30 mil quilômetros rodados, assim ele não chegou a enfrentar problemas como o de falta de peças. Mas na hora da revenda ele perdeu mais que 50% do valor do carro, ainda bem que ele comprou a vista, se tivesse financiado o prejuízo seria bem maior.

Ele diz que o carro tinha muitas qualidades e que o atendimento do pós-venda foi sempre cordial. Hoje acho que ele está bem mais feliz com sua nova aquisição, agora ele possui um japonês Honda Civic 2014, considerei ótima a troca, na verdade não há como compará-los.

Em minha opinião a vida a bordo do 620 é boa, o espaço interno agrada e os bancos revestidos em couro ecológico são confortáveis, mas os elogios acabam aí. O desenho da manopla do câmbio é feio parece pertencer a um carro bem antigo, os acabamentos imitando madeira não casam muito bem com o restante do interior do carro. As portas traseiras são difíceis de fechar e o barulho do motor invade o habitáculo do veículo incomodando quem viaja.

Externamente até que tem linhas agradáveis, mas aqueles leds no farol me parecem um improviso que não deu certo. A piada é que eles queriam imitar o Toyota Corolla, nem sei o que dizer disso.

Por tudo isso, comprar um Lifan 620 usado é certeza de um mau investimento. É também uma forma bem simples para perder muito dinheiro.

Por melhor que esteja a conservação do automóvel, um dia será necessário substituir peças, e isso certamente não será uma tarefa fácil. Deixo uma pergunta: Quem disponibilizará peças para um carro tão pouco vendido? Responda se puder, mas acho que nem mesmo a própria Lifan terá esse compromisso com os seus clientes.

Os carros chineses precisam todos melhorar muito. A impressão que tenho, é que com um pouco mais de capricho aos detalhes de acabamento resolveriam quase todos os problemas de um carro como esse. Tudo bem que se um dia isso acontecer, o preço não ficará tão convidativo como é hoje, carro mais barato com certeza é o que desejamos.

Mas não queremos somente preço baixo. Necessitamos de carros baratos, bem acabados, confiáveis e acima de tudo com uma ampla assistência técnica servida de um bom estoque de peças para solucionar rapidamente possíveis problemas que os carros possam ter.

Se quiser um conselho, por enquanto fuja dos carros das marcas chinesas, o mercado para elas ainda é incerto e levarão muitos anos até que elas ganhem a confiabilidade necessária para se tornarem fortes e consequentemente conseguirem fazer com que a compra seja vista como um bom negócio.

Hoje sexta feira 13, mais do que nunca lhes desejo uma boa sorte e boa compra. Acabo o artigo desejando um bom final de semana. Abraço a todos e até segunda-feira.

  • wyllys

    Gostei dos seus comentários. Pior do que estes só linga de de sogra! vou me benzer com sal grosso.

  • alexandre marques

    Hyundai é coreana e quando chegou no brasil todos torceram os narizes. Agora é sonho de consumo de muita gente. O mesmo vai acontecer com os chineses. Pior é o brasil que nem marca própria tem.