Como não ser enganado por um vendedor de carros usados?

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Na última sexta feira eu estava pesquisando preços de vários carros grandes, e o valor pedido num Ford Fusion numa loja próxima da minha casa me chamou atenção. Embora R$ 1000,00 mais caro do que o indicado pela tabela fipe, o preço se comparado ao de outras lojas era bem convidativo, o que automaticamente me fez imaginar com um Fusion estacionado na minha garagem, sou fã desse carrão da Ford.

Pensando em ir à loja, imaginei escrever sobre como não ser enganado por um vendedor de carros usados.

No sábado pela manhã resolvi ir até a loja e testar o carro, caso me agradasse nada me impediria de trocar meu hatch ano 2012 que comprei 0 km, por um espaçoso e requintado sedan ano 2007 com pouco mais de 70 mil quilômetros rodados.

como não ser enganado por um vendedor de carros

A minha visita a loja foi muito boa, pois me inspirou a escrever o artigo que ensina rapidamente como não ser enganado por um vendedor de carros usados.

Logo ao entrar na loja, um simpático vendedor que se identificou como proprietário da loja veio atender-me, até aí tudo bem, quero deixar claro que não tenho nada contra os vendedores de carros, só não gosto dos que tentam fazer do cliente um verdadeiro otário, por isso resolvi escrever esse algo com o tema: como não ser enganado por um vendedor de carros usados.

A PRIMEIRA IMPRESSÃO É A QUE FICA!

Eu tenho uma opinião formada que me ajuda muito quando quero comprar um carro, que é a seguinte:

Se na primeira olhada eu já enxergar defeitos no carro, para mim ele não serve.

O leitor deve estar pensando: Então carro usado nenhum vai lhe agradar, pois todos têm defeitos.

Sim, a grande maioria apresenta defeitos, mas existem alguns carros usados tão bem conservados que podem ser considerados perfeitos, é só procurar com paciência que você encontra um carro muito bem cuidado, e é esse o carro que você deve comprar.

Outros têm pequenos defeitos, que são normais em um carro usado, tais como os comuns amassadinhos nas laterais que são efeitos das batidinhas de porta em estacionamentos, também são carros que podem ser comprados, mas que você terá que investir uma graninha para deixá-lo em dia. Neste caso, isso pode ser um motivo para você pedir um desconto ao vendedor.

Assim como também existem carros usados com defeitos tão grandes que não podem nem ser considerados para compra, são aqueles que no primeiro olhar você diz consigo mesmo: esse não. Nesse caso, dê as costas e vá embora, nem perca tempo.

Até mesmo os carros 0 km saem com defeitos da linha de produção e precisam ser reparados antes de seguirem para a aprovação do pessoal da qualidade (já trabalhei numa fábrica de veículos) por isso posso afirmar que o que digo, infelizmente é verdade.

E com o belo Ford Fusion que fui ver, aconteceu exatamente o que eu não gostaria. Só de olhar de longe pensei: esse não dá. Eu deveria ter ido embora naquele momento, mas como o vendedor já havia me dado às boas vindas, continuei caminhando em direção ao carro.

Caso ninguém tivesse vindo me atender eu certamente já teria voltado do portão. Ainda bem que não voltei, caso contrário não teria tido a experiência de ter sido “enganado” e não teria inspiração para escrever o texto que explica: como não ser enganado por um vendedor de carros usados.

O vendedor empenhado simplesmente em faturar, começou a me contar sobre as qualidades do carro:

  • O carro entrou ontem para a venda, e já tem pessoas interessadas somente aguardando o financiamento ser aprovado pelo banco;

  • O carro está com baixa quilometragem;

  • Excelente procedência, o ex-proprietário é meu amigo, conheço o carro desde 0 km;

  • O carro é muito bem conservado, a pintura toda é original;

  • Muito confortável, se você andar com ele, você compra.

Quase sempre ouço a mesma coisa, independente do carro, do vendedor e da loja, e nem sempre tudo que eles falam traduzem a verdade.

Ao adentrar no veículo pedi para funcionar o carro, ele me deu a chave e o carro não funcionou.

Disse o vendedor: Resolvo rápido, o carro está parado por muito tempo, por isso a bateria arriou.

Perceba como é fácil não ser enganado por um vendedor de carros usados apenas prestando atenção no que ele fala. Aqui ouvi a primeira mentira do vendedor, anteriormente ele havia me falado que o Fusion havia entrado ontem na loja.  Além de o carro ser novo no pátio, já tinham inúmeros interessados. Tudo para apressar e fazer com que eu me decidisse logo em comprar. Puro clichê de vendedor, tudo bem, fingi que acreditei na lorota dele.

Depois de o rapaz conectar a bateria do carro a um carregador, dei a partida e o motor realmente me pareceu bom, com funcionamento macio, que era o eu esperava de um carro com pouco mais de 70 mil quilômetros rodados, conforme o que o mostrador digital informava.

Percebi que a forração dos bancos em couro estava bem desgastada e isso já me alertou sobre a veracidade indicada pelo hodômetro. Lógico que só isso não denuncia erro na quilometragem do veículo, afinal de contas o couro se não bem cuidado degrada fácil mesmo, mas não deixa de ser um alerta para uma pesquisa mais a detalhada sobre o veículo antes da compra.

Ainda no interior do veículo senti um forte mau cheiro, era carro de fumante, visto que até o teto havia sido queimado por um cigarro, senti cheiro de mofo misturado ao do cigarro, e logo vi várias manchinhas de mofo nos bancos traseiros e na forração dos painéis de porta. Algo realmente lamentável.

Assim que o vendedor percebeu que eu constatei mofo no interior, se apressou em dizer: Deixei o vidro aberto num final de semana, como choveu o interior está úmido. Realmente pode ter sido apenas isso, visto que choveu muito aqui nas últimas duas semanas, mas pode ter outra causa, como infiltração, por exemplo, ou ainda algo pior, será que o carro passou por uma enchente?

E se o carro havia entrado ontem, conforme ele mesmo afirmou, como o veículo pode ter passado um final de semana com as janelas abertas? Depois, ele prometeu tirar a forração para secar e resolver este problema antes de me entregar o carro.

O vendedor me explicou que o carro havia sido tirado em uma concessionária de Curitiba, e que pertencia a um senhor, amigo dele, que usava o carro somente em perímetro urbano saia com ele pouquíssimas vezes. Explicando a baixa quilometragem do carro. Pois se levarmos em consideração as pesquisas que apontam que o carro do brasileiro roda em torno de 21 mil quilômetros anualmente, o Fusion deveria estar beirando os 130 mil quilômetros já que ele tem praticamente 6 anos de uso, pensando assim realmente o carro está com uma baixa km.

Então pedi para verificar o manual de manutenções do carro, e percebi que realmente o carro foi tirado em Curitiba e a última revisão realizada em autorizada foi em agosto de 2010 quando o carro estava com 60 mil quilômetros.

Com este dado pensei, é possível rodar tão pouco? Pois em 3 anos depois da última revisão, até hoje o carro rodou apenas mais 12 mil quilômetros? Até pode ser, mas então o antigo proprietário rodava muito pouco mesmo, conforme o vendedor informou. Porém isso me fez pensar em levar o carro numa concessionária e verificar se a quilometragem é realmente original.

Descobri olhando o manual de manutenções, que o carro não fez revisões aqui no Paraná, o que me intrigou bastante.

Se o antigo dono morava em Curitiba e não viajava com o veículo, por que todos os carimbos das revisões feitas no carro são de uma concessionária de São Paulo? Algo estranho nas informações dadas pelo vendedor, não? Mais uma vez a dica de prestar atenção no que o vendedor diz, serve para responder a questão abaixo:

Como não ser enganado por um vendedor de carros usados?

Não sei qual o motivo para esconder que o dono viajava com o carro, mas depois disso fica claro que o automóvel não rodou apenas dentro da cidade, me parece que ele rodou a maior parte do tempo na capital paulista, não que isso seja algo proibitivo para a compra, mas mostra que o vendedor não foi verdadeiro nos argumentos que usou para me convencer a ficar com o veículo.

O vendedor me informou que o carro passou por vistoria e perícia veicular, e me informou o nome da empresa que prestou esse serviço, mas não tinha o documento em mãos, porém está tudo bem com o carro, disse ele.

Eu só acredito vendo, se o carro já passou por perícia por qual motivo ele ainda não tem o laudo atestando que o carro é bom?  Se fosse o caso de eu comprá-lo, antes levaria em outra empresa para que eles vistoriassem o carro.

Já sem ânimo para continuar, fui verificar as condições externas do carro. O vendedor disse: Como a pintura inteira é original, não quisemos repintar o para-choque traseiro, que está com alguns riscos, mas carro preto você sabe como é né?

Verdade, nos carros pretos os riscos ficam mais aparentes do que num carro prata, por exemplo.

Ao olhar a lateral esquerda, percebi que realmente a pintura parecia original, mas na lateral direita havia um enorme retoque, indicando que o carro possivelmente sofreu uma colisão, e uma repintura foi feita, e isso me fez desistir de qualquer coisa naquele momento.

Pintura inteiramente original? Sei que é, pensei.

Mesmo não tendo a menor intenção de comprar o carro, não consegui me controlar e chamei a atenção do vendedor dizendo:

Amigo, esse carro foi repintado.

Ele respondeu meio sem jeito:

Onde? Puxa vida, eu nem percebi isso!

Ora, faça-me o favor, como um avaliador, compra um carro e não percebe que o carro já foi retocado? Desculpe-me, mas é óbvio que ele sabia que o carro tinha retoque, impossível alguém que trabalhe com carros não perceber que o carro havia sofrido repintura, e mesmo assim ele mentiu afirmando que a pintura do carro era original.

Agradeci pelo atendimento e rapidamente saí, pois não aguentava mais ser enganado. Essa última questão da pintura me fez acreditar que tudo aquilo de boa procedência, baixa km, era pura enrolação. Não consegui continuar avaliando o carro, aquilo me deixou transtornado.

Não preciso dizer que nem cheguei a andar com o carro, pois eu já tinha motivos demais para não querer comprar, e não era um rápido test drive que iria fazer-me mudar de opinião sobre o estado do carro, por melhor que ele se saísse na rua.

Com apenas alguns minutos de atenção e sem ao menos terminar de examinar o carro, descobri coisas que me ajudaram a responder a pergunta tema desse texto: Como não ser enganado por um vendedor de carros usados?

Possivelmente se eu continuasse a inspeção no veículo e pesquisasse sobre ele iria descobrir vários outros motivos para não comprar aquele carro.

Não podemos generalizar, pois conheci profissionais muito honestos. Mas, precisamos não acreditar em tudo que os vendedores de carros usados nos dizem. A grande maioria só quer vender e ganhar a sua comissão. Os vendedores que te enganam não se importam em vender verdadeiras carroças como se fossem carros 0 km, para esses maus profissionais a mentira é algo extremamente normal.

Muitos vendedores enganam pessoas que não tem muito conhecimento se entregam a tentação de comprar carro por impulso, acreditando em toda a conversa do vendedor, que faz o papel de melhor amigo. Na verdade, vendedores desonestos são seus piores inimigos.

Não vou divulgar o nome da loja em que estive, porque não tenho o objetivo de prejudicar o negócio de ninguém.  Minha intenção é fazer de você leitor um consumidor mais consciente e mais preparado para as muitas armadilhas existentes no mercado de carros usados.

Resumindo: e como não ser enganado por um vendedor de carros usados?

  • Simples, você precisa agir com frieza e determinação quando for comprar seu próximo carro.

  • Nunca acredite em tudo o que ouve.

  • Pesquise antes sobre o carro que pretende comprar.

  • Preste atenção no que diz o vendedor, pois quase sempre ele cai em contradição.

  • Leve o carro a um mecânico e a um funileiro de sua confiança, se não conhecer nenhum pague pelo serviço, para saber se está comprando um bom carro, tenha certeza que vale o investimento.

  • Contrate o serviço de uma empresa credenciada e especializada em vistorias e perícia veicular que atestam se o carro não teve nenhum sinistro grave ao longo de sua vida, além disso, elas informam outras coisas importantes, que fazem com que você compre com mais confiança.

Só depois de ter certeza que o carro que está comprando é bom, assine a papelada.

Boa sorte e boa compra!

  • Gabriela

    Boas dicas, estou pensando em comprar um carro, conheço pouco, bom saber como não ser enganado.

  • Adriele

    Apesar de ser um artigo de 2013, é um assunto sempre recente, pois é assim mesmo que funciona essa questão. Estou atualmente em busca de um carro, já estou há mais de um mês nessa busca e vejo que isso que falaste é a mais pura verdade. E lendo muito a respeito de carros advindos de enchente percebo que apesar de na minha cidade Santa Maria RS, não ter essa ocorrencia de enchentes, vejo que tem e muitos carros nessa condição, obviamente não tem placa do RS. Contudo meu estado também possui algumas regiões que são atingidas por enchentes o que vem a tentar vender esses carros em cidades como a minha. Então, sempre tem que usar o bom senso e procurar, procurar, analisar, analisar. Realmente é lamentavel mas é assim que as coisas funcionam.

    • Jose Carlos de Oliveira

      com certeza eu também cai em uma cilada desce tipo comprei um veiculo muito bom de aparencia mas infelismente fui enganado na pintura, na mecanica, e na quilometragem do veiculo. Eu não consigo entender como que a vistoria aprovou um motor que era uma verdadeira batedeira de bolo.rodei com o carro apenas 6 meses e depois tive que fazer uma retifica do bloco e do vira brequim

  • José Mário

    Concordo em alguns aspectos:
    1. Só compro carro com placa do município em que moro, pois verifico nas autorizadas as revisões dos veículos para análise de quilometragem e serviços realizados.
    2. Sempre utilizo um ima e passo em toda a lataria do veículo pois onde o ima não fixar direito, provavelmente tem massa.
    3. Verifico sempre os vidros e confiro o chassi. Se forem originais já é um bom sinal.
    4. Quando um veículo é bem cuidado, você vê logo o aspecto por dentro.
    5. Verifico os pneus, estepes, forros, assoalho pra detectar sinais de alagamento.