Del Rey – O carro chefe da Ford nos anos 80 e 90 ainda sobrevive

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O Ford Del Rey foi lançado em 1981, para substituir o corcel. Você que conhece um pouco do assunto, ou que conhece bem, e é apaixonado por veículos dos anos 80 e 90 assim como eu, deve estar pensando: Informação errada! Sim ela está errada, porém, a intenção da Ford era descontinuar o Corcel logo ao lançar o Del Rey. Mas ao perceberem que o Corcel vendia bem, decidiram que os dois poderiam conviver juntos em perfeita harmonia. E foi o que aconteceu até 1986, quando a Ford resolveu finalmente encerrar a produção do Corcel.

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O Ford Del Rey conseguiu sim substituir o Ford Corcel com louvor, visto que, era um sedã de luxo, sinônimo de conforto e status naquela época. E até hoje, ainda é uma opção bastante procurada no mercado de carros usados.

Em sua primeira fase, nos anos de 1981 a 1984, ele podia ser comprado nas configurações de duas ou quatro portas e era disponível em dois níveis de acabamento, prata e ouro. Além disso, havia uma versão SW, conhecida como Ford Belina, tema que abordarei em um post exclusivo, pois foi também um grande carro e merece destaque.

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Na segunda e última fase, o Del Rey passou por uma remodelação, mudou pouco, mas suficiente para que o modelo pudesse ser visto como novidade, e assim sobreviver no mercado por mais alguns anos. Mudaram também as versões, que passaram a se chamar L, GL, GLX e a versão top passara a ser denominada como Ghia, sempre com motores CHT de 1.600 cilindradas. Até que em 1990, foi lançado o motor AP 1.8 da VW nas versões sedã e perua. Além da motorização, o desenho dos retrovisores externos também foi modificado.

Dez anos se passaram (1991) e chegou à vez do luxuoso Del Rey se despedir, para a chegada de mais um fruto da Autolatina, o Ford Versailles, um carro totalmente novo? Não, na verdade apenas um VW Santana usando roupas da marca Ford.

Termino esse parágrafo com o slogan usado nos comerciais de 1985 do Ford Del Rey, “questão de requinte”, afirmando que até nos dias de hoje, se ele fosse fabricado, essa frase seria perfeita para este grande sedã, que deixa saudosos muitos brasileiros até hoje, exatos 22 anos depois do término da sua produção.

Desempenho e conforto

Nas primeiras versões com o bom e fraco motor Cht 1.6, não poderia se esperar grandes acelerações, retomadas e velocidade final. O desempenho do carro utilizando esta motorização sempre foi criticado por seus proprietários, porém não se podia reclamar da questão consumo, pois neste quesito o carro era só elogio.

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Como eu sempre prefiro as últimas versões e também as mais completas, vou falar aqui sobre minhas impressões do Ford Del Rey Ghia de 1991.

O carro é altamente macio, graças a sua suspensão projetada pensando muito mais no conforto do que em segurança. Lembro que em 1993, aos 13 anos, eu estava aprendendo a dirigir num belo Del Rey L branco do ano de 1987, e eu era simplesmente apaixonado por aquele carro que pertencia a minha irmã (e olha que não era o Ghia), e o meu primo chamado Pedro, dizia que o carro era extremamente mole e desengonçado… Realmente é, mas acho que isso o deixa muito confortável, sem transferir as imperfeições dos nossos asfaltos esburacados.

Os equipamentos eram vários, e seu preço mostrava que ele se tratava de um carro para poucos. Era caro, mas recheado de mimos, como direção hidráulica, ar condicionado, conjunto elétrico que incluía retrovisores e antena com acionamento elétrico, bancos altos traseiros, descansa braços traseiros, luz de leitura, forração dos bancos e painéis de portas com tecido aveludado, e muitos outros requintes, sem falar do charmoso relógio e cronometro digital instalado no teto, painel muito bonito de fácil leitura e acima de tudo completíssimo.  Não posso deixar de comentar, que o carro dispunha do “moderno” câmbio automático de três marchas como opcional.

Já com o motor também carburado AP de exatas 1.781 cilindradas e potência de 87 cavalos, o desempenho do Del Rey melhorou consideravelmente, levando o carrão a uma velocidade final de 155 km/h. No consumo atingiu níveis aceitáveis para um sedan 1.8, com marcas de 9,2 de consumo urbano e 13,8 na estrada. (números obtidos pelas versões com câmbio manual)

Comprando o Ford Del Rey

Considerando que o Del Rey nos deixou órfãos a mais de 20 anos, infelizmente nos dias de hoje, encontrar um exemplar em boas condições não é uma tarefa muito fácil. Na verdade como acontece com todos os carros usados, principalmente os fora de linha. Modelos bem conservados além de raros sempre são negociados por preços bem salgados. Então, pode não ser um bom negócio, se você procura um carro para uso diário visando ser o seu único veículo. Pois dependendo do valor pedido pelo automóvel, podem-se comprar carros mais novos e modernos, isto claro, sem o requinte oferecido pelo Del Rey. Porém, se é paixão, vale a pena pagar o preço para tê-lo em sua garagem.

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Modelos quatro portas com ar condicionado são mais desejados no mercado de usados, mas não por isso, outras versões devem ser descartadas. Carros clássicos como o Del Rey tem um valor inestimável e dependendo do grau da paixão do comprador, da originalidade e do estado de conservação, qualquer Del Rey pode ser bem vendido.

Procure por modelos dos últimos anos, de 1990 e 1991, pois já contam com o poderoso motor AP 1.8 de origem VW, que são vistos por muitos como o melhor motor produzido até hoje. Já ouvi mecânicos falando que estes motores duram a vida inteira, e são capazes de funcionar sem água e óleo. Exageros a parte, também considero o velho AP, como um motor muito durável. E no caso do Del Rey este motor acaba proporcionando um fôlego extra, que não se encontra nas versões de menor cilindrada.

Dentre as principais desvantagens podemos citar:

  • Desgaste do eixo e das buchas da suspensão dianteira, fazendo barulhos que incomodam;

  • Dificuldade para encontrar peças de acabamento;

  • Travas elétricas deixam de funcionar, conserto caro;

  • Modelos  equipados com o CHT 1.6, sofrem com falta de potência.

Conclusão

Independente do grau da sua paixão, o Del Rey sempre será uma boa compra e lhe proporcionará grandes momentos, dirigi-lo é incrivelmente prazeroso. Se o carro for muito bem conservado, não pense duas vezes e compre, pois muito dificilmente irá ser um mau negócio.

Boa compra, e até a próxima.

  • Guilherme

    Não concordo com muitas partes… Para mim, o melhor Del Rey era o “puro” Ford: 1.6, CHT. Além disso, prefiro os mais antigos, pelo valor que agregam para coleções. É um carro feito para se viajar, sem pressa, curtindo a maciez e a paisagem.

    • Guilherme

      Ah, e correção: a Belina era a perua do Corcel, até a final de produção deste, em 1986 (Série Astro). Existiu a Scala, que tinha a frente do Del Rey que foi produzido entre 81/84, mas a Belina só virou Del Rey em 1986, como modelo 1987 e assim ficou até 1991, quando surgiu a Royale.

  • geison marcio de moura

    Já tive um del rey Ghia,arrependo de ter vendido,mas estou a procura de outro pra comprar,achei um 1985,4 portas,1,6,AP,gasolina,alguem pode me dizer se essa versão é boa.